Nos bastidores do romance
Como nasceu Terra Vermelha

Terra Vermelha nasceu da proximidade de Carlos Alberto Gregório Barros à Marinha Grande. A memória industrial da cidade, o pinhal e o mar fazem parte da matéria a que o autor regressou durante a escrita. O romance parte desse território para construir uma intriga policial em que os acontecimentos do passado continuam a interferir no presente.
Na nota que acompanha o livro, o autor explica que procurou compreender como a história colectiva entra na vida privada. Essa preocupação surge nas relações entre as personagens e na forma como cada uma lida com o que sabe. Um segredo pode ser guardado por medo, por lealdade ou porque a verdade ameaça a vida que entretanto se construiu.
A descoberta de um corpo nas ruínas de uma fábrica abre a investigação. Para chegar ao crime, é necessário regressar às pessoas que passaram por aquele lugar e aos vestígios que deixaram. O cenário industrial ganha, assim, uma função concreta na intriga: conserva sinais de um passado que ainda precisa de ser compreendido.
O vidro ocupa um lugar particular neste universo. Está ligado ao trabalho e ao engenho dos operários, mas também oferece uma imagem da relação entre fragilidade e resistência que interessou ao autor. É uma matéria que exige transformação e cuidado, presente numa cidade cuja memória acompanha a investigação.
O livro foi escrito ao longo de um processo de pesquisa e de sucessivas reescritas. As personagens e os acontecimentos são ficcionais, embora tenham nascido de impressões reais, conversas e memórias. Essa ligação não transforma o romance num documento histórico; dá-lhe um território humano reconhecível.
Conhecer a origem de Terra Vermelha ajuda a perceber o lugar que a cidade ocupa nas suas páginas. A intriga pede ao leitor que acompanhe uma investigação e que observe, ao mesmo tempo, como uma comunidade convive com aquilo que ficou por resolver.


